Origem e História

De acordo com o Recenseamento Geral de Gados no Continente do Reino de Portugal (1870), “…bísaro é o nome que se dá ao porco esgalgado, mais ou menos pernalto, de orelhas frouxas para o distinguir do bom porco roliço e pernicurto do Alentejo”. O apelativo de Céltico é proposto e empregado por Sanson para exprimir a antiguidade da raça deste tipo, que era o único que existia nas regiões habitadas pelo povo celta, como o norte de Portugal e Espanha, a antiga Gália e ilhas Britânicas, antes da introdução nestes países, das raças do tipo asiático e românico. Ainda que exista pouca bibliografia sobre a história do porco bísaro, apresentam-se, de uma forma resumida algumas referências bibliográficas, que caracterizam este animal, referindo quais as suas principais características.

Em 1878, Macedo Pinto, descreve o porco bísaro como um animal pertencente ao Typo Bísaro ou Céltico, com as características morfológicas atrás referidas, distinguindo duas variedades dentro da raça, de acordo com a corpulência, cor e maior ou menor quantidade de cerdas. Considerou a existência de porcos de 200 a 250 quilos de carcaça e outros entre 120 a 150 quilos; quanto à cor, diz serem na maioria pretos, também alguns malhados e os que tinham pelagem branca eram denominados Gallegos, por serem oriundos da Galiza. Os Molarinhos eram os animais malhados que tinham poucas cerdas e a pele lisa e macia.

Refere ainda o mesmo autor que se tratam de animais de crescimento lento e tardio, difícil engorda (só completando o seu crescimento aos dois anos de idade), produzindo mais carne magra que gordura e acumulando-se esta mais nas banhas do que em espessas mantas de toucinho.

Póvoa Janeiro, em 1944, no Boletim Pecuário, distingue duas variedades dentro da raça: a galega, branca ou branca malhada, e a beiroa, preta ou preta malhada, distinguem-se os Molarinhos, de pele fina e quase sem cerdas e os Cerdões, de cerdas finas e abundantes.

Dois anos mais tarde (1946), Cunha Ortigosa classifica a raça bísara, originária do tronco céltico, como uma das três raças nacionais. Ao descrever as variedades dentro da raça, para além da Galega e da Beirôa, onde inclui o Tipo Molarinho e Cerdões, faz referência, pela primeira vez, ao cruzamento do bísaro com o porco inglês Berkshire de onde resultaram o Torrejano e o Sintrão ou porco da Granja do Marquês.

A sobrevivência desta raça à evolução da agricultura e da suinicultura, só foi possível pela continuidade de uma agricultura tradicional e de subsistência, que actualmente ainda se verifica em algumas regiões do país. A capacidade de adaptação a este sistema agrícola, a docilidade dos animais, a prolificidade, a facilidade na criação de leitões e a excelente carne que produzem, foram factores preponderantes na manutenção da raça.

Na década de noventa, verificou-se um renovado interesse pelas raças autóctones, que levou ao reconhecimento em 1994, pelo Ministério da Agricultura da Desenvolvimento Rural e das Pescas, de raça autóctone em vias de extinção. No mesmo ano foi aprovado o Regulamento do Registo Zootécnico e, no ano seguinte, iniciaram-se as acções de registo. As primeiras exposições e o concurso morfológico anual tiveram início em 1999.