Sistemas de Exploração

O maneio alimentar do porco bísaro foi sempre condicionado pelos recursos disponíveis, provenientes da agricultura local. Os animais são alimentados maioritariamente com culturas da própria exploração que consistem em: cereal (milho, trigo, centeio, cevada e aveia), tubérculos (batata, beterraba e nabo), produtos hortícolas (couves, abóboras etc…) e frutos como é o caso da castanha.

O sistema de exploração utilizado nesta raça é o semi-extensivo e extensivo. De uma forma geral as explorações localizadas no concelho de Vinhais são destinadas essencialmente para a produção de “cevas” ou porcos de engorda destinados a serem transformados em Fumeiro de Vinhais. São pequenas explorações de carácter familiar, com 3 a 20 fêmeas reprodutoras. Caracterizam-se por pequenas pocilgas, onde são alojadas as porcas na altura do parto e com acesso a parques ao ar livre, onde permanecem as porcas gestantes e os porcos de engorda. Estas pocilgas caracterizam-se pela utilização de áreas adequadas aos animais, em nenhum caso possuem boxes de gestação e todas elas utilizam os terrenos limítrofes para parques, garantindo o conforto dos animais e respeitando as mais elementares regras de bem-estar animal. Mais recentemente, com a evolução do mercado do leitão, apareceram explorações de maior dimensão, com efectivos reprodutores entre as 100 e 200 porcas reprodutoras. Existem dois tipos: Explorações em que o ciclo produtivo é totalmente ao ar livre, recorrendo ao uso de abrigos e a maternidades com isolamento térmico e explorações em que todo o ciclo produtivo é ao ar livre excepto as parições que são feitas em pavilhões de maternidade convencionais, mais indicadas para a produção de leitão para abate, uma vez que se reduzem as perdas por esmagamento e frio.

Outra característica da dieta utilizada nas pequenas explorações é a sua variação ao longo do ano, pois a maioria dos alimentos fornecidos são de carácter sazonal. Maioritariamente a dieta fornecida consiste no alimento base composto por uma mistura de cereais, complementado por uma grande diversidade de alimentos ao longo do ano. A utilização de alimentos compostos completos verifica-se apenas em alturas pontuais como o desmame e a lactação. Algumas explorações também recorrem ao uso do pastoreio, com resultados muito satisfatórios.

A primeira cobrição das fêmeas realiza-se por volta dos 5 a 7 meses de idade, situando-se o primeiro parto, antes de completarem um ano de vida. Dada a precocidade com que aparece o primeiro cio nesta raça e as questões de maneio, que erradamente colocam as fêmeas e os machos na mesma área da pocilga, o primeiro parto acontece regra geral muito cedo, o que se reflecte negativamente no número de leitões nascidos e na futura vida reprodutiva das fêmeas.

As porcas parem normalmente duas vezes por ano e os leitões permanecem com as mães cerca de 40 a 45 dias. Depois do desmame alguns leitões são vendidos para consumo e os restantes são recriados para futuros reprodutores ou para engorda.

De uma forma geral, a vida reprodutiva dos animais desta raça é curta, as fêmeas poucas vezes ultrapassam as 3 parições e os machos, depois de um ano e meio de idade, são castrados por se tornarem demasiado pesados. Isto é o que acontece nas explorações mais tradicionais e de menor dimensão. Nas explorações de maior dimensão já se faz uma planificação mais elaborada das parições e cobrições, havendo algumas que fazem um tipo de maneio por lotes o que lhe permite um fornecimento de leitões constante ao longo do ano.