A Raça Suina Bisara

O porco de raça bísara, uma das raças autóctones de Portugal, faz parte do nosso património biológico, económico e cultural e está há séculos associado ao mundo rural de algumas regiões do país, principalmente a norte do rio Tejo onde foi mantido até aos dias de hoje.

Factores como a docilidade, a capacidade de adaptação ao maneio tradicional, a prolificidade e a excelente qualidade da carne, assim como as tradições das populações mais isoladas do norte de Portugal, contribuíram para a sua manutenção e, ainda hoje, apresentam as mesmas características descritas no final do Sec. XIX.

Esta raça, à semelhança de outras raças autóctones de suínos ou de outras espécies, esteve quase condenada à extinção, devido à acelerada intensificação da agricultura, em geral, e da pecuária em particular. A alteração dos hábitos dos consumidores, com preferência por carnes mais magras, a necessidade urgente de produzir em quantidade e a baixo preço, para alimentar uma Europa faminta a seguir ao pós-guerra, o êxodo rural e problemas sanitários, como a Peste Suína Africana foram factores que contribuíram para a quase extinção desta raça de suínos e para a progressiva introdução de raças exóticas e seus cruzamentos, com crescimentos mais acelerados e com maior proporção de músculo na carcaça, exploradas em regime intensivo que, actualmente, constituem quase a totalidade do efectivo nacional.

A redescoberta deste valor autêntico, aconteceu há poucos anos pelo renovado interesse que suscitaram os produtos regionais de qualidade que, aliados às potencialidades das pequenas explorações de minifúndio, situadas em zonas desfavorecidas do interior do país, têm vantagens específicas que importa preservar, tal como é o caso da salsicharia transmontana.